quarta-feira, 27 de maio de 2020

Perda do Olfato ( Anosmia) - Sintomas do Covid19

                      Bulbo olfativo – Ilustração: Cleber Siquette/ Jornal da USP

  Juntamente com febre, tosse e falta de ar - muitos pacientes com coronavírus (COVID-19) relatam uma perda temporária do olfato ( anosmia), aparentemente a perda olfativa é significativamente maior em pacientes com COVID-19 em comparação com a perda que geralmente ocorre durante um resfriado e, menos comumente, em pacientes com influenza não com COVID-19. 

  A perda olfativa não era comumente relatada na cidade de Wuhan, China, onde ocorreu o primeiro surto de coronavírus. No entanto, estudos preliminares realizados em vários países, incluindo Israel e Irã, mostram que esse sintoma aparece em cerca de 60% dos pacientes. Os cientistas estimam que existem atualmente oito estirpes ativas do vírus, logo, acredita-se que a perda olfativa pode ser um sintoma diferenciador das várias estirpes.


"Complicações que atingem o sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal) e o sistema nervoso periférico (gânglios e nervos) foram observados. A anosmia – perda da percepção de cheiro – e a disgeusia – diminuição do paladar – foram frequentemente relatadas por pessoas com a covid-19. “A série de casos relatados pelos chineses mostram que a prevalência dessas patologias é muito maior do que se achava em 2019”, conta ao Jornal da USP Marcus Vinícius Magno Gonçalves, neurologista da Univille e o último autor do paper.

A hiposmia – redução do olfato, também tem chamado a atenção da comunidade médica. Em um estudo europeu publicado em abril de 2020, descreveram disfunções de olfato e paladar cerca de 86% e 88% dos 417 pacientes infectados. Dentre eles, cerca de 13% relataram fantosmia (alucinação olfativa) e 32% tiveram parosmia; de todos os 76 pacientes que não apresentaram obstrução nasal ou rinorreia (corrimento nasal excessivo), quase 80% apresentaram anosmia ou hiposmia. “O que nos intriga é que, de todos os pacientes que tiveram neuropatia olfatória, apenas 40% ficaram curados após 30 dias do início dos sintomas”, afirma Marcus Gonçalves."


  Inicialmente a OMS não havia incluído a perda do olfato ou paladar entre os possíveis sintomas do COVID-19, contudo vários situações ao redor do mundo mostraram que pessoas infectadas poderiam ter recebido atendimento com antecedência, principalmente para seguir os procedimentos necessários como isolamento.
 No Brasil o Ministério da Saúde incluiu a perda do olfato e paladar na lista, indicados como sintomas menos comuns e assim como em outros países devem ser acompanhados em casa.
  É necessário lembrar que podem ser sintomas do COVID-19, bem como por outras razões mais comuns a esta situação, como por exemplo , resfriado ou gripe.
Até mesmo a Inglaterra incluiu a perda do olfato ou paladar na lista de  sintomas do COVID-19 e juntamente com Estados Unidos e OMS indicam o teste, bem como isolamento por 7 dias.

Coronavirus key symptoms: High temperature, cough, breathing difficulties, loss of taste or smell


    Mas o que acontece com quem é acometido nesta situação?

  O Dr. Simon Gane e sua equipe apontam situações entre as mais comuns antes e depois da pandemia:

 Típicos - congestão, muco, gotejamento pós-nasal com ou sem febre e tosse molhada. Perda do olfato observada durante ou após a doença ter desaparecido, as vezes com fantosmia (cheiros fantasmas ou cheiros que não estão presentes) e parosmia (distorção de cheiros, o mais comum é café, cebola e frituras).

  Novo cenário com COVID-19 -  vias aéreas superiores excessivamente secas e dolorosas. Sensação de pressão, mas livre fluxo de ar. Às vezes a perda do olfato ocorre antes de outros sintomas.
Às vezes, a perda do olfato é repentina e dramática, com ou sem febre, tosse seca. Altera não apenas o cheiro, mas também o “sabor verdadeiro”: salgado, doce ou a incapacidade de perceber um ou outro. Alterações na quimestesia (não pode sentir a queimadura de pimenta ou cheiro de alvejante)

   Assim, é impossível julgar nas fases iniciais da recuperação da doença, o que acontecerá com o olfato. É necessário ter paciência e esperar, a maioria das pessoas recuperarão, pelo menos até certo ponto, parte de seu sentido olfativo e com isso irá recuperar o seu paladar. Algumas pessoas, no entanto, poderão ter perda do olfato durante um período longo ou até anos. 

  Vale lembrar que tudo é novo em relação a esta infecção e muitos dados científicos ainda revelarão muito nos tratamentos de pessoas acometidas. É importante lembrar também, que já existem métodos e tratamentos que auxiliam pacientes que sofrem de anosmia e suas variações e que muitos deles tem apresentado ótimos resultados, da mesma forma seguir orientações com a devida orientação profissional, como ótima dieta alimentar, hidratação, descanso e bom sono, também no que se refere a uso de descongestionantes nasais, inalações e talvez o mais importante, o treinamento olfativo que funciona como uma fisioterapia do nariz.

   Falaremos sobre o treinamento olfativo com mais detalhes em um novo post abordando também anosmia e suas variações.


Nenhum comentário:

Postar um comentário